PlayMaker Scouts Brasil
4 de julho de 2020
Itália

Alguns dos jogadores titulares comemorando o gol de Pinamonti.

Análise: Itália Sub-20 no Mundial 2019

A BELA CAMPANHA DA ITÁLIA NO MUNDIAL U20

A Itália terminou o Mundial U-20 2019 na 4° colocação, perdendo a disputa do 3° contra o Equador, atual campeão do sul-americano da categoria. Em 2017 os italianos foram 3°, após vencerem o Uruguai nos pênaltis.

Foto de equipe dos Azzurra no torneio.

– A campanha dos Azzurrini:

Como de costume nas principais seleções europeias, a Itália chegaria na competição com certo hype, correto? Não, pelo contrário. Resultados e desempenho fraco nos amistosos não ajudaram, Paolo Nicolato soube lidar com as adversidades. Chamou alguns jogadores da ótima seleção U-19, vide nomes como : Carnesecchi, Bellanova, Candela, Bettella e Esposito. Por conta da Euro U-21 e da própria Azzurra, nomes como os de: Bastoni, Zaniolo, Tonali e Kean não foram convocados. No fim das contas, o mister Nicolato fez uma convocação de segurança e se deu extremamente bem.

– Fase de grupos da Itália:

Apesar de certas dificuldades na fase de grupo, os italianos lideraram o grupo B, seguidos de Japão, Equador e México.
Na fase de grupos foram 2 vitórias e 1 empate, na estréia a equipe de Paolo Nicolato venceu o México por 2×1, com gols de Frattesi e Ranieri. No 2° jogo, partida dura contra o próprio Equador, vitória por 1×0 com belo gol de Pinamonti, já classificada para as oitavas. Contudo, no 3° jogo a equipe foi com o time reserva contra o Japão e empatou por 0x0.

– O mata-mata:

Nas oitavas, vitória simples contra a anfitriã Polônia, belo gol de pênalti de Pinamonti. Pedreira, é o que a equipe enfrentou nas quartas, a boa seleção de Mali cumpriu com o esperado e deu um grande trabalho, mas não bastou e a Itália mesmo de certo modo sofrendo venceu por 4×2, gols de : Pinamonti (2), Frattesi e gol contra.

A partida das oitavas-de-finais da Itália contra os anfitriões poloneses.

– Eliminação e jogo polêmico:

Contra a Ucrânia na semifinal, um jogo à parte. A defesa e o meio da equipe ucraniana atuaram muito bem, inclusive abrindo o placar num belo lance. Com a expulsão injusta de Popov, a Itália teve vantagem na reta final, conseguindo até o empate com Scamacca, nos acréscimos do segundo tempo. Infelizmente, o árbitro Raphael Claus anulou injustamente o gol : numa disputa de espaço comum, o brasileiro entendeu que houve falta de ataque. Sendo assim, Itália eliminada.

Scamacca comemorando o gol contra a Ucrânia, que viria a ser anulado injustamente momentos depois.

– O final com o 4° lugar do torneio:

Contra o Equador, na disputa do terceiro lugar, os sul-americanos tiveram sua revanche e venceram por 1×0. O atacante Olivieri ainda perdeu um pênalti que abriria o placar durante a prorrogação. No fim das contas a equipe se despediu de certo modo com um gosto amargo, até pela forma que foi a semifinal e o próprio duelo com o Equador.

Imagem do jogo contra o Equador na disputa pelo terceiro lugar do Mundial.

– Desempenho dos titulares:

– Alessandro Plizzari: um dos grandes goleiros da competição, infelizmente não conseguiu premiar tal desempenho com um título. Foram 5 jogos, 4 gols sofridos, 2 cleansheets e 2 pênaltis defendidos.

– Raoul Bellanova: particularmente dizendo, teve um desempenho acima da expectativa no torneio, com mais qualidades que fragilidades demonstradas, foi sólido defensivamente e ofensivamente teve boas investidas. Terminou o campeonato com 1 assistência em 5 jogos, foi melhor que na Euro U19 disputada no ano passado.

– Matteo Gabbia: bom zagueiro, jogou a temporada 18-19 pelo Lucchese na terceira divisão italiana, jogador firme, joga simples e que arrisca dar alguns passes mais agudos, um exemplo foi contra México, em que deu um bom passe para Scamacca que acabou fazendo o pivô que resultou em um gol de Frattesi. O principal problema é a ingenuidade, inclusive cometeu uma falta boba que acabou culminando no gol equatoriano na disputa da 3° colocação.

– Enrico Del Prato: jóia da Atalanta, no sistema de jogo de Nicolato teve boas partidas. Foi bem com a bola, revezando com Esposito (regista) em campo. Apesar da baixa estatura, atuou como zagueiro/líbero, fez uma boa competição. Atuou como regista em boa parte do último duelo contra o Equador.

– Luca Ranieri: revelado e ainda vinculado à Fiorentina, o jogador disputou a temporada 18-19 pelo Foggia. O lateral-esquerdo teve um desempenho interessante jogando como uma espécie de 3° zagueiro pela esquerda, apesar de não ser tão bom na técnica, tem boa leitura de jogo e é muito esforçado. Também não possui tanta velocidade, mesmo assim teve certas subidas, foi premiado com 1 gol na competição.

– Alessandro Tripaldelli: um jogador que não possui um grande vigor físico, algo que o impede de dar continuidade em muitas jogadas no 1×1. Não possui muito destaque técnico, se assemelha ao Ranieri. Errou muitos dribles e cruzamentos porém fez boas triangulações com Pellegrini e sempre demonstrou estar bem concentrado e sempre se doou em campo.

– Salvatore Esposito: fez uma competição bem interessante, foi o coração do time, não teve muita liberdade para finalizações e para um ponto forte do atleta : cobranças de falta. Cresceu muito em 2019. Bastou menos de 5 jogos pela Itália U19 para demonstrar seu valor, tal qual que acabou chamando a atenção de Nicolato. É um jogador que possui muita habilidade e se destaca pela garra na marcação, busca o jogo e não se intimida com ou sem a pelota. É o tipo de jogador que tem a “manha”, sabe os macetes do jogo.

Vale lembrar que ele possui um irmão que também é muito talentoso : Sebastiano, da Inter, destaque do vice italiano na Euro sub17 e campeonato Italiano sub17. Vale dizer, Salvatore iniciou a temporada 18-19 pela Spal U19 e em janeiro acabou sendo emprestado para o Ravenna. Um time da Serie C, foi sua 1° experiência pelo profissional, até aqui.

Detalhe curioso, na estréia pela Spal na temporada 18-19, marcou gol, na estréia pela seleção u19 também marcou o dele e pra finalizar, também meteu gol na estréia pelo Ravenna com gol de falta nos acréscimos da 2° etapa. Classe!

Itália
Dois bons nomes do Mundial e titulares na Azzurra: à esquerda Luca Pellegrini com Salvatore Esposito, à sua direita.

– Davide Frattesi: atua como um box-to-box, teve bom desempenho. Se apresentou bem no ataque e teve um trabalho defensivo importante. Pertencente ao Sassuolo, jogou no Ascoli na última Serie B. Fez 2 gols, contra o México em boa finalização de fora da área e depois de cabeça contra o Mali numa boa infiltração na área. Com muito potencial, tende a crescer bastante e atuar em times maiores. Ataca e defende com a mesma proporção e tem boa qualidade para exercer o que o treinador pedir.

– Luca Pellegrini: muitas vezes faltou a ajuda dos companheiros na aproximação, pois o mesmo jogou como um meia-esquerda e muitas vezes ficou sozinho em tentativas de contra-ataque ou até mesmo para tentar fazer alguma tabela. Tentou muitos cruzamentos, até pelo time possuir dois jogadores altos centralizados no ataque, foi razoável nesse aspecto. Foi titular do Cagliari na reta final da Serie A, possui um bom físico, tem um bom drible e repertório. Mesmo faltando capricho nas finalizações, se apresenta muito no ataque. Tem uma boa explosão, um físico enorme; corre o jogo inteiro e não desiste das jogadas, seja com ou sem a bola.

– Andrea Pinamonti: jogador com bastante hype, marcou 4 gols no torneio (2 de pênalti). Jogador de qualidade que chamou a responsabilidade no torneio, meteu um golaço na vitória solitária contra o Equador na fase de grupos, posteriormente meteu um golaço de pênalti contra a Polônia, o gol da classificação para as quartas, inclusive nas quartas decidiu contra o Mali e marcou uma doppietta. Tecnicamente se demonstra comum, mas tem uma boa presença de área e um faro de gol em dia, é um finalizador. O jovem pertence à Inter e esteve no Frosinone na última temporada.

O bom Andrea Pinamonti, um dos principais jogadores da Azzurra.

Gianluca Scamacca: infelizmente, é subestimado por grande parte dos italianos. Jogador alto, forte e habilidoso.. difícil de se encontrar no futebol italiano, possui uma técnica muito boa e ainda assim é um jogador leve em campo. Possui 1.95 de altura mas mesmo assim costuma arriscar muitos dribles, dá pra se esperar de tudo dele. No início da temporada passada passou no PEC Zwolle da Holanda, hoje atua na equipe Primavera do Sassuolo. Estreou bem contra o México, deu assistência e “deitou” na 1° etapa, no segundo jogo, contra Equador, teve um desempenho razoável mesmo com uma assistência, não atuou contra os japoneses e no mata-mata teve um desempenho inferior.

É o tipo de jogador letal, que espera a bola para finalizar com um simples toque, exemplo disso foi o gol invalidado injustamente contra a Ucrânia, dominou de costas e meteu um voleio na gaveta. Se colocar a cabeça no lugar e algum técnico conseguir extrair seu máximo, será um jogador extremamente interessante.

Itália
Alguns dos jogadores titulares da Azzurra comemorando o gol de Pinamonti, camisa 9.

Desempenho de alguns reservas:

Marco Carnesecchi: excelente, o arqueiro de 18 anos sofreu 1 gol em 2 jogos. Em sua estréia na competição, 7 defesas, 1 pênalti e 1 cleansheet no empate por 0x0 contra o Japão. Na disputa pela 3° colocação o jovem da Atalanta foi titular contra o Equador, acabou sendo vazado após 204 minutos sem sofrer gol. Somando os 95 minutos contra o Japão e 109 minutos vs Equador. Ao todo foram 12 defesas, 1 pênalti defendido, 1 cleansheet e 1 gol sofrido em 227 minutos. Talento!

Davide Bettella: por conta dos playoffs da Serie B pelo Pescara, todavia, acabou chegando na Polônia com o Mundial já em andamento. mais precisamente no dia 27 de maio. Contudo, 1 dia depois de ter jogado contra o Hellas Verona. O jovem de 19 anos possivelmente seria o titular na competição, até por se destacar muito na Itália U19, onde é capitão da equipe. Lembrando que o zagueiro pertence à Atalanta.

Andrea Colpani: mais uma jóia da Atalanta. Um dos melhores jogadores do Primavera, o meia demonstrou um pouco do seu valor quando esteve em campo. Foram 4 jogos, 1 como titular. Podendo atuar como mezzala ou até de regista, o jovem de 20 anos costuma ser um jogador agudo e de boa intensidade. Foi regular contra o Japão e entrou bem contra o Equador.

Domenico Alberico: estaque no Hoffenheim, o meia de 20 anos demonstrou muito potencial. Foram 6 jogos, 2 como titular. É o tipo de meio campista que tem uma visão diferenciada e uma leitura de jogo ótima, até mesmo na hora de dominar. No entanto, precisa melhorar a parte física e ter uma tomada de decisão mais precisa após suas arrancadas/dribles/fintas. Tem tudo pra se tornar um jogador bem interessante.

Christian Capone: decepcionante. Jogou 6 jogos, 2 como titular. Contudo, não foi nem quando recebeu chances como titular e não entrou bem nos jogos. Apático e errou muitos dribles e passes simples. Pra piorar, errou uma grande chance de gol na semifinal contra a Ucrânia, ficou nervoso e isolou a bola. Pra variar, mais um que pertence à Atalanta.

Marco Olivieri: pouco fez em 4 jogos, sendo 1 como titular. Certamente ficou marcado pelo pênalti perdido contra o Equador na disputa pela 3° colocação, lembrando que o jogo ainda estava 0x0. O atacante pertence à Juventus U-23. Foi uma decepção.

Itália
Por fim, a imagem de um dos destaques reservas da Itália, o goleirão Carnesecchi comemorando o pênalti defendindo contra o Japão.

Confira nossa parceria com os Payton Mahomes e a equipe da NBA PlayMaker

Além de nossas primeiras entrevistas com a Calcio Brasil.

E a nossa magnífica parceria com a Brazillian Gunners.

PlayMaker Noticias Sports