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Jogo Reativo, Jogo de Inteligência

Jogo reativo de Simeone

Atletico Madrid's Argentinian coach Diego Simeone reacts during the Spanish League football match between Club Atletico de Madrid and Levante UD at the Wanda Metropolitano stadium in Madrid on January 13, 2019. (Photo by PIERRE-PHILIPPE MARCOU / AFP)

O jogo reativo se apresenta como uma forma de ganhar jogos diferentes das demais. Se engana aquele que pensa que esse tipo de jogo é apenas uma face moderna da velha retranca.

O que é um Jogo Reativo ?

É uma proposta de jogo que permite uma reação imediata após uma ação do time adversário. Contudo, em campo se mostra de diversas maneiras. Pode ser esperando a equipe adversária para buscar o contra-ataque, marcando no campo de ataque, cortando as linhas de passe do adversário.

Nem sempre está relacionado a uma equipe ultra defensiva.

Entretanto, alguns de forma pobre e com pouco conhecimento de causa, preferem relacionar o jogo reativo apenas a retranca, tirando todo o mérito de quem estudou o próprio time e o adversário, sendo capaz de usar todas as variáveis do jogo em favor de propor o jogo de uma forma diferente das que vemos toda semana.

Reativo? Desde quando?

A América do Sul é reconhecidamente o continente onde nascem os maiores talentos do futebol mundial.

Os sul-americanos, em sua maioria, gostam e precisam de espaço para fazer o seu jogo fluir.

Pensando nisso, Alf Ramsey, técnico do English Team campeão mundial de 1966, até então adepto do 4-2-4. Recuou os pontas para tirar os espaços dos sul-americanos, formando um 4-4-2. Portanto, congestionando o meio campo para impedir que os talentos circulassem com liberdade pelo campo.

Aliado a um jogo mais físico e até um tanto bruto, com muita correria e dedicação. Abusando de bolas longas, cruzamentos e excessivo jogo aéreo.

Ramsey controlava o espaço do time adversário, impedindo a troca de passes e a fluidez do jogo.
Ganha força o tal do Kick and Run.

Campeão do mundo com a Inglaterra, Ramsey traz ao time um modelo reativo de jogo, que neutralizou os talentos sul-americanos na edição de 1966.
Foto: Reprodução/youtube.com

Era um jogo totalmente oposto a vizinha Escócia, que foi fonte de inspiração para o celeiro sul-americano.

O chamado Close Quickly-passing da Escócia prezava pela troca de passes curtos e bom controle de bola, com a premissa de tentar manter a bola no gramado o maior tempo possível.

Como dito antes, o jogo escocês foi fonte de aprendizado dos sul-americanos que melhoraram o jogo no continente, com o acréscimo do drible e a cobrança de falta com efeito.
O jogo reativo que nasce a partir de Alf Ramsey com a Inglaterra campeã do mundo, também tinha como motivação anular o crescimento do país vizinho no esporte e seu jogo envolvente.

Identidade reativa

Se o time consegue usar e controlar bem as variáveis de tempo e do espaço de campo como forma de propor o jogo, ali podemos identificar uma ação reativa da equipe no jogo.
E isso não quer dizer que a equipe não queira jogar, e seja retranqueira.

Se trata apenas de um recurso utilizado para neutralizar as armas do adversário, reagindo com intensidade a um golpe adversário.
Um exemplo é a postura do Liverpool de Klopp, que teve na temporada 2017-2018 um dos ataques mais positivos da temporada, marcando 135 gols em 56 jogos, com média de 2.4 gols por partida.

Ao enfrentar o City de Guardiola, que é um time que gosta de ter a bola. Todavia, para agredir o adversário e impor o seu estilo de jogo, independente de onde esteja jogando. Contudo, o Liverpool reage cortando as linhas de passe e pressionando com muita intensidade o portador da posse de bola.

Muita pressão no homem da bola, superioridade numérica no setor e todas as opções de passe são anuladas. Assim, Klopp matou as o jogadas de Guardiola e virou uma pedra no sapato do gênio catalão na temporada passada.
Foto: Reprodução/Reuters

Outras equipes reagem delimitando e controlando o espaço do time adversário. É como se o time dissesse: “Bem, até aqui você pode tocar a bola !”

The Special One

Um dos técnicos que executam o modelo reativo com excelência é Mourinho.

O Special One colecionou títulos jogando de forma reativa, ocupando bem os espaços do campo, em recado direto ao adversário: “Daqui você não passa !”

Mourinho aposta sempre em um jogo pragmático e direto, que nem sempre privilegia as virtudes do elenco, mas que consegue minar as forças do adversário explorando suas fraquezas ao tirar o espaço para jogar.

Lembra daquela aula de defesa da Inter de Milão contra o Barcelona em pleno Camp Nou, em uma semifinal de UEFA Champions League ? Pois é.

9 jogadores protegendo a entrada da área, em uma proposta clara de não deixar o time trocar passes perto do gol. Muita concentração e inteligência para neutralizar um dos melhores times de todos os tempos. Mourinho doutrinou o Barcelona naquela noite! Foto: Reprodução/AFP

Naquela situação, Mourinho controlou bem o espaço, tirou as entrelinhas de Messi e disse aos Culés até onde eles poderiam trocar passes e saiu de lá classificado para a grande final.

Você pode até não gostar de ver um time jogando assim, mas propor o jogo sem a bola e fazer o quer com o adversário, é muito mais inteligente do que uma posse de bola inofensiva, recheado de toques laterais e pouco objetivos.

O modelo Simeone

Atualmente, ninguém aplica melhor o modelo de jogo reativo que Cholo Simeone.

O Argentino é prova contemporânea de que o jogo reativo é mais do que se defender e esperar o adversário dentro da próprio gol. É um jogo de profunda inteligência e que exige bastante talento de jogadores e do próprio comandante para chegar onde deseja.

Na final da Europa League, Cholo e seus comandados do Atlético de Madrid fizeram 3×0 no bom time do Olympique de Marseille. Acha mesmo que um time que marca 3 gols em uma final, entra em campo para jogar apenas por uma bola?

Com um estilo que reflete a cultura do clube e da torcida Colchonera, Simeone traz o Atleti de volta ao caminho dos títulos, mostrando uma forma diferente de vencer jogos.
Foto: Reprodução/Reuters

Modelo de sucesso e de manutenção

Em seu modelo de jogo há uma coisa que ele não tolera, que é a preguiça. Contudo, em um estilo aguerrido de muita entrega e comprometimento tático com o modelo de jogo. A preguiça é carta fora do baralho para Cholo Simeone. Seu modelo de jogo transformou os jogos com o vizinho rico Real Madrid, em partidas épicas.

E transformou o temido ataque MSN do Barcelona em presa fácil, baseado em uma defesa sólida e coesa.

Assim como Mourinho, a equipe de Simeone joga no erro do adversário, induz o oponente a errar. Todavia, mediante muita pressão no homem da bola, independente do setor onde esteja.
Cholo alterna o momento defensivo no 4-4-2 ou 4-5-1, mas sempre com linhas próximas e muita pegada na marcação. Contudo, buscando a transição rápida para pegar o adversário desorganizado.

Linhas próximas , muita entrega e comprometimento ao esquema tático. O jogo reativo de Simeone desbancou grandes elencos como Barcelona, Bayern e o grande rival local Real Madrid.
Foto: Reprodução/ Canal #1

Simeone é o contraponto do futebol pregado pelo maior revolucionista dessa geração, Pep Guardiola.

O argentino é a reação ao futebol total do Catalão. Todavia, que busca a posse de bola e o passe como forma de se defender e atacar o adversário, em uma ofensividade extrema.

O futebol é um esporte único e a história mostra que para toda tendência que nasce, há um antídoto para neutralizar sem tirar a beleza do jogo. Que seja sempre assim!

Simeone.

Mourinho.

Ancelotti.

Tantos outros.

São nomes que conhecem bem essa magnífica arma que é o jogo reativo.

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1 thought on “Jogo Reativo, Jogo de Inteligência

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