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O brilhante Parma de 98-99

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O futebol italiano chegou ao seu auge na década de 90 com as vitórias do Milan na Liga dos Campeões de 89 e 90, a final de uma Copa do Mundo e o renascimento de Internazionale. Os grandes importaram diversos jogadores da América do Sul e do Leste Europeu, além disso, alguns clubes foram apadrinhados por empresas e grandes donos. A produção de craques estava insana como Costacurta, Nesta, Maldini, Cannavaro e outros na linha de defesa, além de Baggio e tantos outros no meio e ataque. Contudo, o times como Parma, Lazio e atém mesmo a Sampdória montaram verdadeiros esquadrões.

1993 o resgate da história

Não há maneira de tratar sobre a história do Parma de 90 somente citando 1998-99. O Parma ressurgiu mais precisamente quando retornou da Série B em 1990. A década se iniciou e Nevio Scala chegou para ser treinador da equipe. Em 1992-93 a equipe se qualificou para a European Winner’s Cup de 93-94. Contudo, o Parma foi bem. A equipe foi finalista sendo batido pelo Arsenal em Copenhagen, na Dinamarca.

O zagueiro Sensini e o atacante Gianfranco Zola dominavam o clube e eram os pilares da equipe de Scala.

A Parmalat surgiu como principal investidor no mundo da bola e injetou uma grana pesada na equipe. Além da Coppa Italia de 92-93, Scala venceu a Supercopa e entrou no hall dos grandes treinadores da história da equipe.

O auge da passagem de Nevio veio em 94-95 quando venceu a Copa da  Uefa e pôs o seu nome definitivamente na história do clube e do futebol italiano. Ainda na primeira fase, Zola classificou a equipe para a fase seguinte com dois gols diante do Vitesse. Contra o AIK, da Suécia, Minotti foi o algoz. Diante do Athletic Bilbao a equipe italiana travou uma verdadeira batalha após perder o primeiro jogo, no Sam Mamés. No jogo seguinte, Zola abriu o placar e o show do irmão menos talentoso dos Baggios veio a luz. Dino Baggio marcou duas vezes e o placar terminou 4 a 2, um 4 a 3 no geral que virou todos os olhos da Europa para esta equipe.

Nas quartas, um jogo morno diante do Odense classificou a equipe de Scala e nas semis a estrela de Asprilla e Baggio apareceram. No agregado 5 a 1 diante dos alemãs e uma inédita final pela frente.

A grande final da Copa Uefa de 94-95

A final é lendária. Certamente uma das grandes rivalidades nascidas na década de 1990. Parma e Juventus fizeram um verdadeiro combate em campo pela taça que era tratada como uma das mais importantes do Velho Continente. Ainda era disputada em dois jogos. No primeiro jogo, no Ennio Tardini, Dino Baggio deu a vantagem para a equipe do Parma.

No segundo jogo, a Juventus abriu o placar no fim do primeiro tempo com Vialli e pressionou a equipe de Scala. A estrela de Dino Baggio era simplesmente espetacular, nos primeiros minutos do segundo tempo, mais precisamente aos 54, empatou dando números finais a este jogo e a taça de maior importância até então na história do clube;

Nesta temporada, Gianfranco Zola terminou com 19 gols e foi o goleador da equipe no ano. Após esta temporada a Parmalat exigiu estranhamente uma mudança de estilo de jogo mesmo que Scala tenha trazido tal mudança anteriormente. Contudo, o time ficou marcado na história com a lendária formação de 5-3-2 quando defendia e 3-5-2 quando atacava.

Bucci, Minotti, Couto, Susic, De Chiara, Benarrivo, Fiore, Crippa, Dino Baggio, Asprilla e Gianfranco Zola.

A safra de mudanças e erros de gestão do Parma

Scala foi substituido em 1996 por um novato que se tornaria um dos maiores de todos os tempos futuramente, mas não no Parma. Carlo Ancelotti certamente lembra bem desta época de aprendizado e dos erros e acertos que cometeu diante do comando. Durante sua passagem, Ancelotti teve problemas com a estrela da companhia, Gianfranco Zola. O treinador evitava de escalar Zola em sua posição original e isso irritou o atacante, além disso, Ancelotti pediu para que o Parma não trouxesse nada mais, nada menos que Roberto Baggio alegando problemas extra-campo que poderiam atrapalhar o seu comando.

Ancelotti começou a adotar o estilo de gestão de Ajax e Barcelona na época. Contudo, a promoção de atletas trouxe alguns bons frutos, porém o técnico não agradou tanto a direção e os investidores da Parmalat.

Com as chegadas de Enrico Chiesa e Hernan Crespo o técnico caiu. As greves e problemas com grandes nomes fizeram o treinador cair facilmente. De acordo com Tanzi, este time jogava para se divertir e entreter, contudo, não para vencer.

O acerto do Parma de Malesani

Desde Scala, Tanzi procurava por um futebol vistoso para a equipe do Parma. Certamente ele chegaria muito em breve, veio com Il Mister Malesani, o técnico que assombrou a itália ao chegar no Parma.

O escudo de Parma

A identificação de Gigi Buffon com a Juventus é notória hoje me dia, mas alguns não sabem que seu inicio foi em Parma. Malesani apostou e o goleiro de 17 anos tomou a posição. Foram 6 temporadas até sair em 2001. O escudo de Parma, como Gigi era chamado, tinha seus heróis que formaram um trio de zagueiros que até hoje, para muitos, é o melhor da época.

Com a chegada do ótimo Liliam Thuram, a defesa ganhou um veloz e inteligente zagueiro. Premiado em 1997 como melhor jogador francês pela France Football e melhor estrangeiro da Série A. Thuram era líbero e pode se dizer que é uma versão mais antiga de Chiellini do atual elenco da Veccia Senhora.

O seu braço pela direita era Nestor Sensini, pobre tecnicamente, contudo uma lenda feroz de 3 Copas do Mundo. O zagueiro era um leão em campo e em 1998/99 ele irritou Gabriel Batistuta, Oliver Bierhoff, Ronaldo e Marcelo Salas.

O braço pela esquerda era composto pelo jovem Fabio Cannavaro, sua parceria com Liliam foi uma das maiores já vistas no Calcio e eles iriam repetir futuramente na Juventus.

Os ataques tinham que inventar o impossível para bater este trio.

As asas e o cérebro de Malesani

Dino Baggio não era genial, não era craque, mas tinha estrela, certamente isso já havia sido provado na Copa Uefa em 1994-1995. Foram 172 jogos e 20 gols com a camisa do Parma. O meia sempre foi subestimado, muito até, contudo, os torcedores sabem que o meia protegeu muito bem a sua defesa e municiou ainda melhor seu ataque.

Alain Boghossian é o outro francês deste plantel de Malesani. Com 89 jogos e 10 gols em 4 temporadas pela equipe, o meia se recuperou após a Copa do Mundo e ajudou a vencer as copas que viriam a seguir.

Vindo da Inglaterra, o argentino Juan Sebástian Verón desembarcou na Itália para ser o mais magistral dos meias da equipe. Após falhar no Terra da Rainha, muito por falta de paciência de Ferguson em sua adaptação, ele veio a ser um craque majestoso com Malesani e sua esquadra.

As máquinas objetivas e a segunda Copa Uefa da década do Parma

Enrico Chiesa não era gênio também. Contudo, o atacante era letal e foi a dupla perfeita para Hernan Crespo. Chiesa marcou 79 gols em 148 jogos com a camisa do Parma. O ala Benarrivo e Stanic também foram fundamentais para a engrenagem de Malesani.

O atacante Faustino Asprilla que havia integrado a equipe de 92 até 95 retornou em 98-99 para encerrar seu ciclo e ajudar nas conquistas que viriam a seguir. Ainda havia a loucura de Abel Balbo, o herói cult em Parma;

O esquadrão imortal estava apresentado e disputava com a Lazio e o Milan quem desempenhava o melhor futebol em solo italiano. A terra da bota viu Malesani vencer a Coppa Italia.

Certamente esta Copa tinha uma especialidade. Todavia, grandes confrontos de equipes monstruosas deixaram a Itália inteira parada na frente da TV. A final entre Parma e Fiorentina fora um dos jogos mais sensacionais deste ano em todo o mundo. No primeiro jogo, a dupla argentina Crespo e Batistuta marcaram para as equipes, 1 a 1 terminou o confronto.

No segundo, em florência Crespo e Vanoli marcaram e Repka e Cois empataram, 2 a 2 e Gigi Buffon garantiu o título do Parma naquele ano.

 

Rank No. Pos Nac Name Serie A Coppa Italia UEFA Cup Total
1 9 A Argentina Hernán Crespo 16 06 06 28
2 20 A Italy Enrico Chiesa 09 01 08 18

 

As finais da Copa Uefa

A 4ª colocação no Campeonato Italiano não apagou o que foi feito pela equipe naquele ano. Na Copa da Uefa, nas primeiras fases, a equipe bateu o Fenerbahçe e depois o Wisla Kracow. Na terceira fase não tomaram conhecimento do Rangers, da Escócia.

A partir daí, certamente entrou em campo a estrela da companhia e sua dupla. Crespo e Chiesa aplicaram  um sonoro 7 a 2 no agregado em cima do Bordeaux e nas semis derrotaram o Atlético de Madrid de Juninho Paulista.

A final em Moscou trouxe o Marseille como adversário. Pobre time francês.

Todavia o 3 a 0 e mais um título da Copa Uefa com direito a Olé, teria um preço. Certamente Crespo, Chiesa e Vanoli nem dormiram neste dia mágico. Contudo, a não manutenção deste elenco fez com que dois anos depois este esquadrão já não mais existisse e com a quebra da Parmalat isso ainda piorou.

A queda do gigante

Em 1999 apenas uma Supercopa Itália foi vencida e a chegada de Amoroso, Ortega e outros trouxe brigas internas bem mais intensas certamente. Todavia, a queda para o Rangers e certamente a queda para o Werder Bremen na Uefa Champions League e Copa UefaArsenal, entre mágoas e meu desabafo minaram a confiança daquele elenco galático.

Chiesa havia saído, contudo, Crespo manteve sua hegemonia e marcou 26 gols naquele ano. O surgimento de Amoroso e Di Vaio como novos membros da companhia trouxe bons frutos, contudo, os males foram maiores.

O quarto lugar no Calcio em 2000-01 veio como um prêmio já que a equipe havia perdido quase toda a identidade nesta nova temporada. Stanic migrou para o Chelsea, Crespo para a Lazio em troca vieram Sergio Conceição e Almeyda.

Além da saída do ícone dos anos 90 do clube. Dino Baggio também deixou encerrando um enorme ciclo que durou quase uma década.

O fim foi decretado em 2001-02 quando a equipe ficou em 10º. Com isso deixamos aqui esta contribuição para o conhecimento de todos desta máquina espetacular

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