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11 de agosto de 2020

Arsenal's Thierry Henry (centre) celebrates with team-mates after the Barclaycard Premiership game against Tottenham Hotspur at White Hart Lane, London. Arsenal are the Premiership champions for the second time in three seasons. They clinched the title with a 2-2 draw. THIS PICTURE CAN ONLY BE USED WITHIN THE CONTEXT OF AN EDITORIAL FEATURE. NO WEBSITE/INTERNET USE UNLESS SITE IS REGISTERED WITH FOOTBALL ASSOCIATION PREMIER LEAGUE.

O lendário Arsenal ”invencível”

Nesta época sombria no Emirates Stadium, muito se faz pensar o motivo pelo qual o Arsenal tem tantos adeptos entre os brasileiros. A maioria, ainda tem a memória bem fresca de um verdadeiro esquadrão que tinha como maior dos pilares Thierry Henry e algumas outras estrelas. Contudo, este Arsenal não volta mais. Certamente a lembrança e as comparações com os rivais que tentaram alcançar o feito de Wenger e seus imortais nunca acabarão.

A primeira fase e a criação do esquadrão de Wenger

O Arsenal assombrou a terra da rainha em 2003-04. Assombrou certamente da forma mais letal que se pode dizer. O futebol do início dos anos 2000 certamente será lembrado como o futebol que viu Thierry Henry, Campbell e Bergkamp doutrinarem uma das ligas mais equilibradas do Velho Continente.

A equipe de Arsène Wenger encantava todos os olhos por onde passava. Jogadas monumentais, uma defesa compacta e muito bem armada, um meio campo lindo de se ver e um ataque mortal.

Óbvio que este time era fruto de um trabalho de continuidade e muita dedicação de seu comandante. Wenger chegou em 1996 como uma aposta da diretoria e logo na sua temporada seguinte, em 1997 venceu o Campeonato Inglês, a Copa da Inglaterra e a Supercopa, algo que os torcedores não esperavam tão cedo e em 1999-00 veio a primeira facada em solo internacional.

O Arsenal sucumbiu diante do Galatasaray-TUR, do goleiro Taffarel. Com os erros, Wenger aprendeu e logo em 2001-02 veio o segundo título inglês com os gunners.

Seaman no gol, Campbell na zaga, Mayer na lateral e um verdadeiro esquadrão no meio e ataque com Pires, Vieira, Parlour, Ljungberg, Bergkamp e Henry. Esse veio a ser o primeiro esquadrão antes da temporada mágica de 2003-04. Este time foi campeão já encantando a terra da rainha em 2001-02. Um double em cima do Manchester United de Ferguson foi um dos pontos mais marcantes desta campanha.

Na temporada anterior, em 2000-01, o Arsenal foi massacrado pelo United com um acachapante 6 a 1 no Old Trafford. Também perdeu a FA Cup para o Liverpool com gol da sensação Michael Owen.

A décima edição da Premier League, novo formato do Campeonato Inglês, trouxe um novo time lendário á tona. O Arsenal venceu aquela Liga com 7 pontos de vantagem para o segundo colocado e ainda a final da FA Cup daquele ano com uma vitória sobre o Chelsea por 2 a 0.

Naquele ano, os Gunners trouxeram van Bronckhorst após perder a lenda Petit. Inamoto e Wright também chegaram. Contudo, Arsène se livrou de Sylvinho e de Vivas. O fico de Patrick Vieira que vinha sendo cobiçado pelo Manchester United foi o ponto alto da janela dos Gunners. Kolo Touré chegou com pouca fama e só seria realmente utilizado em outra temporada.

A principal contratação deste ano foi a chegada de Sol Campbell que se tornaria o pilar da zaga vermelha. Certamente o zagueiro não se arrependeu de deixar o rival Tottenham para ingressar no time de Henry e cia.

Ainda neste ano, certamente o prêmio mais que merecido, Wenger levou o título de Treinador do Ano e Ljungberg como jogador do ano.

Thierry Henry fora o artilheiro do clube no ano e Chuteira de Ouro na Premier League.

O gol de Bergkamp diante do Newcastle foi eleito o gol mais belo da temporada, o Arsenal então se consolidava como uma máquina já em 2001-02.

O auge e os invencíveis de Highburry

Após passarem em branco sem vencer a Premier League em 2002-03, o Arsenal voltaria aos holofotes um ano depois. Contudo, neste ano em que foi vice do inglês para o Manchester United de Ferguson, o time de Wenger faturou o bi da FA Cup. Henry novamente foi artilheiro da Premier League com 24 gols.

Tudo era um preparativo para o ano mágico.

Arsenal

Em 2003-04 nascia um dos times mais lendários da história do esporte. O último campeão invicto das grandes ligas européias. O Arsenal agora era o time de Henry, sim, o protagonismo e a genialidade ficou por conta do francês municiado por Pirés, Ljungberg e Bergkamp.

O time base era formado por Lehmann no gol que substituia nada mais, nada menos que Seaman. Na zaga, as lendas Sol Campbell e Kolo Touré doutrinavam a zaga inglesa; Lauren e o jovem Ashley  Cole fechavam o sistema defensivo pelas laterais. Certamente um dos sistemas de meias mais marcantes da década fora Gilberto Silva, Pirés, Ljungberg, Bergkamp e Patrick Vieira. Contudo, a cereja do bolo era o craque Thierry Henry.

Com 26 vitórias e 12 empates, aquele time extraordinário certamente merecia sorte melhor em competições internacionais. Contudo, o saldo assombroso de 47 gols positivos e a melhor defesa e ataque da competição marcaram mais do que qualquer deslize. O Arsenal foi simplesmente o melhor de tudo no campeonato.

O mundo conheceu nessa temporada o jovem Ashley Cole, com 23 anos, o lateral trouxe um vigor físico invejável, uma capacidade de apoio monstruosa e uma eficiência defensiva que marcou a geração. Mesmo com Lauren na outra lateral, bem mais discreto, a equipe de Wenger passou o trator nos adversários com belos gols e atuações espetaculares.

Em duas partes trouxemos tudo que houve nesta temporada magnífica.

 

Como jogava este Arsenal invicto?

Os números e os vídeos falam por si. O Arsenal encantou e isso se deve a sua formação implacável que infelizmente foi desmantelada poucos anos depois com a pressão da não conquista da Uefa Champions League.

Contudo, este time ainda sim deu algumas aulas que seriam implantadas anos e anos depois. O próprio Chelsea de Mourinho tinha muito mais do Arsenal de Wenger do que do United de Ferguson. Sim, pois em sua temporada inaugual o próprio português disse se espelhar em alguns de seus rivais e principalmente esta máquina londrina.

Arsenal
Henry, Pirés e Campbell após vencerem comemorando o título em 2002(Photo by Ben Radford/Getty Images)

Um 4-4-2 que se transformava em um 4-2-3-1 com os laterais apoiando os dois homens de armação pelas pontas. A temporada de Cole tem muito a verde com a parceria junto a Pirés e a solidez de Lauren com o apoio de Ljunberg pelo seu lado do campo.

Além disso, os dois pilares do meio campo dos gunners eram Vieira e Gilberto Silva. Certamente os dois mais cerebrais deste time. Silva até hoje é tratado como um muro intransponível e Vieira é o que podemos chamar de um dos primeiros volantes modernos do novo milênio.

O ano genial de Thierry Henry

Talvez uma das maiores temporadas individuais de um jogador de todos os tempos. Em 2003-04, Henry certamente fez história por sua genialidade e faro de gol. Além dos gols, Henry também foi líder de assistências da Premier League e isso até hoje é uma das marcas mais impactantes da Terra da Rainha.

O mais próximo talvez que tenha se chegado, mesmo sem os títulos, fora Van Persie.

Todavia, Henry era coroado. Era iluminado. Thierry venceu o prêmio de chuteira de ouro por 4 vezes com a camisa dos gunners. Em 2002/03 ele chegou ao feito mais marcante de um atacante na história da Premier League. 24 gols e 20 assistências em uma única temporada. Foi o nome dos 49 jogos de invencibilidade que este time alcançou. Marcou 39 gols neste ano e distribuiu 19 assistências, muitos ainda acham que foram 21, mas é uma discussão para outra hora.

Tivemos o prazer de ver desfilar esta lenda marcante do esporte mais amado do Brasil e eu tive o prazer de ver este Arsenal jogar.

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