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Renato e a linha entre a teimosia e a conquista

RS - FUTEBOL/COPA DO BRASIL 2017/GREMIO X ATLETICO-PR - ESPORTES - Lance da partida entre Gremio e Atletico-PR disputada na noite desta quarta-feira, na Arena, valida pelas quartas de final da Copa do Brasil 2017. FOTO: LUCAS UEBEL/GREMIO FBPA

O Grêmio passa por seu momento mais complicado da era vitoriosa de Renato Gaúcho. O “melhor futebol do Brasil”, como o próprio treinador apelidou, parece não estar mais encantando como nos anos anteriores.

Me perdoa, Renato

Criticar o maior ídolo da história do Grêmio é complicado. Criticar o homem que foi campeão da América duas vezes, que acabou com os alemães no mundial e que nos tirou da seca de 15 anos sem títulos não é fácil. O lado azul de Porto Alegre considera heresia falar mal de Portaluppi. Porém, as vezes é necessário deixar de lado o coração para fazer uma análise racional do momento do clube e seus problemas. E, mesmo que doa bastante falar isso, pode ser que um desses problemas seja o Renato.

Renato Gaúcho
Renato comemora o título da Recopa com a torcida (Foto: Lucas Uebel/Grêmio)

Início complicado, mas vitorioso

Renato assumiu o comando técnico do Grêmio pela terceira vez na carreira, em setembro de 2016, substituindo Roger Machado. Na sua primeira partida, perdeu em casa para o Athletico Paranaense pela Copa do Brasil, mas conseguiu uma classificação emocionante nos pênaltis. Alternando entre bons e maus resultados, o Grêmio não vinha bem no Campeonato Brasileiro e apostava todas as fichas no mata-mata. Desacreditado, o time gaúcho eliminou também Palmeiras e Cruzeiro, classificando-se para a final contra o Atlético Mineiro.

Com boas atuações, o tricolor sagrou-se campeão da competição e Renato conseguiu aumentar ainda mais a sua idolatria no clube, que seria consolidada um ano depois com o título da Libertadores.

Renato
Grêmio finalmente conquista um título importante após 15 anos na seca (Foto: Mauro Schaefer)

 

Pragmatismo, teimosia e falta de inovação

O ano de 2019 não começou bem para o Grêmio. Mesmo sendo campeão gaúcho em cima do maior rival, nos pênaltis e sem conseguir marcar nos dois jogos, o primeiro semestre do ano foi muito conturbado. Resultados patéticos na Libertadores e um mal desempenho no começo do Brasileirão podem ter criado uma espécie de crise no tricolor. Certamente mesmo com o treinador negando que isso aconteça. O fato é que, mesmo com a grandeza do clube e a qualidade individual dos jogadores, os resultados podem ter uma explicação.

 

Consagrado pelos títulos de 2016 e 2017, Renato parece não se importar em mudar a forma na qual o time joga. Com táticas e esquemas bem delimitados, o estilo de jogo do Grêmio parece estar “manjado” por todos os seus adversários. Os resultados decepcionantes da Libertadores, das finais do Gauchão e do Campeonato Brasileiro ilustram muito bem essa ideia. Mesmo tendo um elenco tecnicamente superior aos adversários. Todavia, o Grêmio de Renato não consegue “furar” retrancas, ser criativo contra equipes fechadas ou até mesmo convencer a torcida quando consegue resultados positivos.

A falta de inovação do time tricolor facilita o trabalho de outros técnicos. Todavia, eles que já conhecem os pontos fracos da equipe e sabem o que precisam fazer para anular o esquema de Portaluppi. É o que aconteceu recentemente, por exemplo, com Jorge Sampaoli. Técnico que aplicou um nó-tático sobre a equipe de Renato na vitória do Santos. Vitória certamente na conta de erros no esquema, em plena Arena do Grêmio, pela primeira rodada do Brasileirão.

O regulamento em mãos, classificação longe delas

Outro problema é quando joga pelo empate. O time parece não conseguir segurar vantagens, sempre optando por um estilo de jogo defensivo e que, desde que Renato assumiu o time, nunca deu certo. Em 2017, após ganhar do Cruzeiro por 1×0 pela ida das semifinais da Copa do Brasil, Renato decidiu apostar no estilo defensivo. O time não conseguiu jogar e tomou pressão até sofrer o gol, que levou a partida aos pênaltis e terminou com o time mineiro classificado.

No mesmo ano, agora pela Libertadores, o Grêmio quase botou a classificação para a final em risco ao perder para o Barcelona em casa. Contudo, mesmo conseguindo uma expressiva vitória no Equador. Já em 2018, novamente pela Libertadores, foi a vez de Marcelo Gallardo se aproveitar da proposta de jogo defensiva de Renato.

Ganhando do River Plate em pleno Monumental por 1×0, o Grêmio parecia ter a classificação em mãos. Apenas parecia. Entretanto, jogando um futebol patético e muito aquém do que vinha apresentando na competição. O tricolor merecidamente perdeu em casa para o time de Muñeco, que obteve no agregado 68% de posse de bola.

Potencial para evolução

Desde que reassumiu o Grêmio, Renato surpreendeu os críticos de seu trabalho com bons resultados. Ótimas atuações e, principalmente, títulos. Entretanto, sua frequente arrogância nas coletivas e a teimosia em continuar apostando no mesmo estilo de jogo desde 2016. Certamente deixam um ponto de interrogação a respeito de sua verdadeira capacidade como treinador.

Portaluppi reconquistou os corações dos torcedores nessa nova passagem. Contudo,  não pode se acomodar e achar que já fez tudo o que pôde pelo time. Os gremistas sabem que ele pode mais. E, para provar que ele tem condições de dar a volta por cima, precisa demonstrar sua capacidade em campo, mostrando variação tática e aquele futebol bonito que os tricolores estavam acostumados a ver.

Desde que chegou, Portaluppi já conquistou uma Copa do Brasil, Libertadores e viu o Grêmio voltar a vencer o Gaúcho. Todavia, esperamos que recupere seu gás e futebol que parece ter esquecido em 2017.

Renato precisa deixar a arrogância de lado e mostrar sua capacidade (Foto: Reprodução Instagram)

 

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