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26 de outubro de 2020
Seleção Brasileira

Seleção Brasileira – Perdemos a identidade e perdemos o Brilho

Desde 2001, vivemos diversas Eras no futebol nacional, vimos ressurgir gigantes, vimos a queda de gigantes. Entretanto, vimos também a morte do nosso futebol na seleção brasileira, a seleção quase sempre para frente deu origem ao futebol pragmático e sem brilho.

2002, onde tudo começou ou terminou?

Em 2001 o Brasil trouxe Scolari, o famoso Felipão. Desde então não houveram mais treinadores que jogassem para frente. O futebol de Felipão sempre foi voltado para um bom sistema de defesa que protegia/municiava um ataque de renome e prestígio. Com isso, o Brasil caminhou para o seu lento fim, mas houve uma ilusão que certamente maquiou este fim.

O título mundial de 2002 veio de uma campanha burocrática, sem tanto brilho. O Brasil quase caiu para a Belgica que não era uma das mais brilhantes do torneio e teve parada duríssima contra a Turquia que também quase eliminou o time de Scolari. Contudo, veio a final, a melhor seleção do mundo caiu diante do talento de Rivaldo, Ronaldo e afins.

O título veio, o tão sonhado penta e esquecemos de nos preocupar com a tática e focamos nos boleiros do novo milênio.

Seleção Brasileira
O último suspiro, a seleção de 2002 (FOTO: Getty Images)

A Era Parreira e as baladas sem sucesso

A geração que se seguiu aproveitou muitos nomes de 2002, entre eles o próprio Ronaldo e ”aposentou” o maior responsável por 2002 que era o craque Rivaldo. Deu-se espaço para novos nomes e novos astros, mesclando sempre com a experiência de alguns que estavam em alta desde 1994. Cafu e Roberto Carlos ainda eram dois dos maiores do mundo, era inegável isso, então tínhamos uma relação de amor reestabelecida desde 2002 com a seleção.

Contudo, está seleção não ficou conhecida somente pelo talento. Eram parte da última grande balada dos boleiros. A última geração de jogadores que eram oriúndos do futebol 90, futebol regado de cerveja, mulheres e polêmicas. A concentração, a preparação, tudo foi um desastre. Entretanto, seguimos o script. Todavia, era um script de terror.

O script dirigido por Carlos Alberto Parreira, um filme de terror, ruim de se ver.

O Brasil fez uma primeira fase pragmática, parecia de ressaca em quase todos os jogos. Com aquele pensamento de que se resolveria uma partida no talento individual, em uma tacada, em um ataque qualquer. Contudo, isso não é uma verdade no mundo do futebol.

O Brasil eliminou Gana, foi ás quartas de finais para pegar o algoz de 1998. O time já envelhecido do outro lado entrou para valer, enquanto o Brasil entrou com dois sacos de cimento nas costas. Em um momento de preguiça, o Brasil sofreu mais uma eliminação/derrota para a França. Bola na área, Thierry Henry com um total de zero dificuldades nos eliminou. Era a primeira nota triste dos anos 2000, primeira nota de muitas sequentes.

Talvez o começo do fim de Adriano, o Imperador (FOTO: GE)

Seleção Brasileira e Dunga Burro

Todo mundo lembra do meme ” Dunga Burro”.

O meme que se tornou uma das verdades no momento mais crucial de sua campanha. O técnico veio de uma das boas campanhas nas eliminatórias, além disso, venceu uma Copa das Confederações com autoridade e um futebol aceitável. Contudo, era uma mudança de geração dolorosa de se ver.

O Brasil tinha Elano, Robinho, Kaká ( já em uma fase mais decadente ), Luis Fabiano e a dupla de zaga era composta por Lúcio e Juan.

O turrão e ferido Dunga insistiu em um esquema e foi com ele até a sua queda, mais uma vez em uma quartas de finais. Desta vez para a experiente Holanda.

O Brasil abriu o placar, estava melhor e com duas lambanças individuais de Felipe Melo e Júlio César, caímos.

O futebol de Dunga era feio, a seleção era o que temos como espelho até hoje. O futebol resultadista, futebol do 1 a 0 é goleada. Contudo, a bola pune como diria Muricy, se você abrir mão dela, ela te pune e é cruel.  Dunga caiu, de um bom técnico e ídolo de 1994 ele se tornou uma figura antipática e odiável nos olhos brasileiros.

Morra herói ou viva o suficiente para se tornar vilão – Coringa.

O terceiro ato de uma seleção sem identidade, Sneijder classifica a Holanda. (FOTO: ESPN)

O Brasil então tentou seguir, mas como? Apelou novamente para um técnico renomado, mas sem identidade com o que chamamos de Futebol Brasileiro. Chamamos Mano Menezes, e ele foi mal, caiu na primeira Copa América.

Então veio a Copa no Brasil. 2014. Política explodindo no país, o patriotismo posto a prova. Contudo, veio a dolorosa derrota que testemunhamos e choramos até hoje.

7 a 1

Ganhamos em 2013, com show de Neymar e Fred a Copa das Confederações. Maraca lotado, time em forma, craque para todo o lado. Ganhamos com firmeza da atual campeã do mundo na época, a Espanha, 3 a 0.

Daí, em 2014 e ilusão foi criada.

O Brasil em chamas internamente, a gente se agarrou ao futebol. O último ponto de união entre os povos.

O Brasil fez uma primeira fase sem brilho ( como sempre ). Sem show, sem identidade, era um Brasil robótico e o engenheiro dessa máquina era Felipão, o mesmo de 2002. O desastre era visível. Como eu disse sobre Dunga, a bola pune quem não deseja o bem dela. Quase caímos para a Colômbia, quase caímos para o Chile, mas passamos.

Chega aquele dia brilhante, no Rio de Janeiro era chuvoso, a seleção enfrentaria no Mineirão a Alemanha, eu acompanhava firme e lembro de cada facada.

Triste, feio e tosco. Como diria o MCP, era um futebol pífio. A Seleção Brasileira de Futebol tomou um sonoro 7 a 1 da Alemanha, em casa.

A cicatriz nunca desaparecerá, sempre estará presente nos corações de qualquer um que minamente curta este esporte.

Ainda veio a cereja negra do bolo, um 3 a 0 na disputa pelo terceiro lugar diante de uma envelhecida Holanda.

Sem legenda para isso. (FOTO: GE)

A dor do 7 a 1 será eterna, ou é só mais um resultado?

Contudo, a inteligência de quem comanda tudo isso não deveria ser subestimada, e foi. Então eles trouxeram novamente Dunga para cuidar de mais uma campanha pré-Copa. O Brasil caiu em 2 Copa América. DUAS EM 2 ANOS.

Então veio Tite, o professor mais humano, o cara que gerencia elencos como ninguém em nosso solo.

Certamente se for recapitular desde 2001, no início de tudo, com Felipão, nenhum dos nomes tinham a nossa identidade. NENHUM.

Todos abriam mão da bola, mesmo com elencos que amavam jogar com ela. Era uma falta de sincronismo absurda entre a filosofia do treinador e da seleção brasileira. Seria diferente com Tite?

Seleção Brasileira e a falsa meritocracia de Tite

Mais uma vez iludidos, tínhamos novamente uma boa geração. Certamente se me perguntar se esperava mais, eu diria que não.

Era óbvio que novamente seríamos dependentes de Neymar. O esquema era feito para o Neymar, mas o Neymar estava baleado, machucado no pré-Copa e tudo foi um desestre. Novamente um desastre.

O Brasil penou na primeira fase e depois avançou para pegar a tão famosa e talentosa geração Belga. Engolidos nos 45 minutos inicias, novamente caímos, novamente nas quartas.

”Essa o fulano pegava, o Allison não pegou” – torcedor leigo, 2018 (FOTO:GE)

Procuramos um Judas, um homem a se apedrejar, achamos Fernandinho. Contudo, todo o esquema era estéreo, sem sal, sem futebol e isso se segue. Tite se mantém no comando e 1 ano depois, históricamente empatamos com a Venezuela em um 0 a 0 em casa. Na Copa América, novamente uma competição em nosso solo e novamente um futebol medíocre, podemos ser campeões, afinal, o talento é bem maior que a maioria das seleções, mas o futebol, aquele brasileiríssimo futebol, morreu, a identidade se perde.

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